


A Polícia Civil de Resende identificou uma adolescente de 16 anos como a mãe do bebê encontrado morto, às margens do Rio Paraíba do Sul, na Vila Araújo, em Resende, no feriado de 1º de maio. Ela está internada num hospital da cidade desde a última sexta-feira (03), em consequência de uma infecção sofrida em razão do parto sem assistência e assepsia. Ela já se encontra apreendida desde sábado (04).
O bebê – um menino – morreu de traumatismo crânio-encefálico, conforme atestou o Instituto Médico Legal (IML) de Resende. A suspeita inicial da polícia era de que o bebê tivesse sido agredido com algum objeto contundente, como um pedaço de pau, mas, em seu depoimento, a mãe esclareceu que o bebê foi jogado de cabeça no chão – ela alega que pensou que ele tivesse nascido morto.
O trabalho da Polícia Civil para identificar a mãe levou até à infiltração de uma policial na comunidade. Antes mesmo de ser hospitalizada, a menor já tinha sido identificada pela investigadora, a partir de conversas mantidas com moradores do bairro.
A adolescente e seus pais, acompanhados de advogados, já prestaram depoimento na polícia. Apesar de a menor ter assegurado que agiu sozinha e que seus pais e o pai do bebê não tinham conhecimento da gravidez, o delegado de Resende, Michel Floroschk, não descarta que a mãe teve ajuda de alguém para se desfazer da criança. “As investigações prosseguem para apurar a responsabilidade de outras pessoas”, disse o delegado.
NO BANHEIRO – No depoimento que prestou já no hospital, a adolescente informou à polícia que deu à luz na noite de 30 de abril. Segundo ela, a criança nasceu por volta das 19h30min, quando ela foi para o banheiro sentindo fortes dores abdominais. Ela alega que deu à luz sob o chuveiro. Exames feitos pela perícia na residência da família, com o uso de luminol, confirmaram manches de sangue no cômodo.
Ainda de acordo com o relato da adolescente, ela usou uma tesoura – que foi apreendida como prova – para cortar o cordão umbilical. Afirmou ainda que pediu para que sua mãe fosse comprar absorventes, alegado que estava menstruada. Enquanto a mãe se ausentou, ela enrolou o bebê numa toalha e o jogou no terreno próximo ao rio, por volta das 20 horas. Ela disse que guardou a toalha para que a mãe não desse falta do artigo de banho.
Ainda em seu depoimento, a adolescente afirmou que, no dia seguinte, quando o corpo foi encontrado, esteve no local, mas não sentiu nenhum tipo de emoção. Mais tarde, no entanto, arrependida, ela revelou aos pais tudo o que havia acontecido. Afirmou também que não tinha conhecimento de que estivesse grávida, pois não tinha sentido sintomas como enjoos ou o bebe se mexendo.
Foto: Cedida pela Polícia Civil
Matéria: Fernando Pedrosa do Foco Regional*