


A agonia dos proprietários de cavalos alimentados com um lote contaminado da Nutratta Nutrição Animal ainda não teve fim no Clube Hípico de Volta Redonda, na Ilha São João. Na noite do sábado (19), mais um equino morreu. A informação foi confirmada por Vitor Hugo de Oliveira, presidente da Fundação Beatriz Gama (FBG) e integrante do clube.
Segundo ele, seria a 23ª morte causada pela intoxicação. “Tem mais um ou dois doentes”, disse Vitor Hugo.
Até o último dia 13, o número de cavalos que morreram após comerem a ração chegava a 245 em todo o país. As mortes foram registradas nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Alagoas e Rio de Janeiro. As perdas dos proprietários começaram no final de maio.
Em todas as propriedades investigadas os equinos que adoeceram ou morreram consumiram a mesma ração. Já os animais que não ingeriram o complemento permaneceram saudáveis, mesmo quando alojados nos mesmos ambientes. É o caso dos cavalos da Escola de Hipismo de Volta Redonda, mantida pela FBG, que não foram alimentados com a ração.
A empresa goiana foi proibida pelo Ministério da Pecuária e Agricultura. Os resultados das amostras coletadas e analisadas pelos Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária (LFDA) detectaram na ração a existência de alcaloides pirrolizidínicos (substâncias tóxicas, chamada de monocrotalina, e incompatíveis com a segurança alimentar animal).
Recentemente, o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, disse que, até então, jamais havia sido identificada a presença da substância em ração para equinos. “Essa substância, mesmo em doses muito pequenas, pode causar problemas neurológicos e hepáticos graves. A legislação é clara: não pode estar presente em nenhuma hipótese”, afirmou Goulart.
A Nutratta Nutrição Animal divulgou nota em que lamenta as mortes de cavalos atribuídas à contaminação de suas rações e se solidariza com criadores, proprietários e profissionais do setor equestre. A companhia afirma que “está colaborando integralmente com as autoridades e que adotou uma postura cautelosa desde os primeiros relatos, optando por não se manifestar publicamente antes de ter respaldo técnico”. (Foto: Redes sociais)