



O Conselho de Sentença do 3º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenou Cíntia Mariano Dias Cabral a 49 anos e 6 meses de prisão pelos crimes de homicídio qualificado e tentativa de homicídio contra os enteados. A decisão foi tomada após julgamento que começou às 15h de quarta-feira (4) e atravessou a madrugada desta quinta-feira (5). A ré foi responsabilizada pela morte de Fernanda Cabral, de 22 anos, e pela tentativa de assassinato de Bruno Carvalho Cabral, que tinha 16 anos na época dos fatos. O veredito foi definido em menos de meia hora de deliberação dos jurados, após quase 16 horas de sessão. A sentença foi lida pela juíza Tula Mello, que ressaltou a gravidade e as consequências do crime.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Cíntia utilizou chumbinho para envenenar os dois jovens em momentos diferentes. O primeiro caso ocorreu em 15 de março de 2022, quando Fernanda ingeriu feijão contaminado com a substância. A jovem passou mal logo após a refeição, foi socorrida e ficou 13 dias internada no Hospital de Realengo, na zona oeste do Rio, mas não resistiu. A suspeita de envenenamento levou à exumação do corpo de Fernanda cerca de um mês após a morte. Exames periciais confirmaram posteriormente a presença do veneno.
Ainda segundo as investigações, em maio do mesmo ano, a acusada repetiu o método e serviu comida contaminada a Bruno. O rapaz relatou em depoimento que percebeu algo estranho no prato: o gosto estava diferente e havia pequenos pontos azulados no feijão. Ele chegou a questionar a madrasta sobre o que havia na comida. Horas depois, Bruno apresentou sintomas graves, com dificuldade para enxergar e para se locomover dentro de casa. Naquele momento, ele afirmou ter associado imediatamente o mal-estar ao que havia acontecido com a irmã.
Durante o julgamento, Bruno se emocionou ao falar de Fernanda e chorou ao relembrar o episódio. O pai dos dois, Adeilson Cabral, que era companheiro de Cíntia na época, declarou que existiam conflitos entre a acusada e os filhos e que ela demonstrava ciúmes da relação deles com o pai. Já a mãe das vítimas, Jane Cabral, contou que passou a desconfiar da madrasta após a morte da filha. Ela relatou ainda que, durante o período em que Fernanda esteve internada, Cíntia chegou a oferecer comida e até enviou um bolo para a casa dela — alimentos que, segundo Jane, foram descartados por receio de envenenamento.
Cíntia já estava presa desde 2022 e seguirá cumprindo pena em regime fechado. A defesa ainda pode recorrer da decisão. Com informações do portal g1. (Foto: Bruno Dantas/TJRJ)