



Na manhã de terça-feira (17), equipes do Serviço de Endemias de Barra do Piraí iniciaram a instalação de armadilhas para monitoramento do mosquito Aedes aegypti em diferentes pontos da cidade. A ação, que segue até quinta-feira (19), marca uma mudança na forma de acompanhamento da dengue no município, com foco na identificação mais precisa das áreas de risco. Os dispositivos, chamados de ovitrampas, simulam criadouros ideais para o mosquito, com água e material atrativo, além de uma paleta onde os ovos são depositados. A partir da análise desse material, as equipes conseguem medir a presença do vetor em cada região.
Em campo, a supervisora de endemias Paula Márcia explicou que o trabalho vai além da instalação das armadilhas. “As armadilhas têm o intuito de fazer uma pesquisa, uma contagem de ovos, para que o trabalho seja exercido de uma melhor forma, com mais eficácia”, afirmou.
Ao todo, cerca de 150 ovitrampas estão sendo distribuídas por cinco equipes em bairros estratégicos. A escolha dos pontos segue critérios técnicos, como locais sombreados, protegidos da chuva e fora do alcance de crianças e animais.
Segundo a supervisora Harranuza Oliveira, o resultado desse monitoramento permite direcionar melhor as ações. “A partir dos resultados, a gente consegue saber onde está tendo maior índice de oviposição do mosquito e intensificar o nosso trabalho de conscientização e as visitas nas casas. Com isso, a gente acaba diminuindo os índices no município”, explicou.
A ação faz parte de uma nova estratégia adotada pela Secretaria Municipal de Saúde, alinhada às diretrizes nacionais e estaduais de enfrentamento às arboviroses. De acordo com o coordenador de Vigilância Ambiental, Allan Ferreira, o objetivo é tornar o combate mais direcionado.
“A proposta é intensificar o trabalho nas áreas prioritárias, onde há maior risco de proliferação do mosquito, utilizando novas ferramentas para fortalecer e orientar as ações de controle”, destacou Allan.
Ainda segundo ele, as ovitrampas funcionam como um instrumento de vigilância estratégica.
“Essas armadilhas simulam um criadouro atrativo para a fêmea do mosquito e permitem identificar os bairros com maior circulação do vetor, criando uma base de dados que direciona o trabalho das equipes”, explicou.
Os dados recentes ajudam a dimensionar o cenário. Em 2024, Barra do Piraí registrou 2.464 notificações de dengue, com maior concentração entre fevereiro e abril. No ano seguinte, houve queda significativa, com 35 casos. Em 2026, até agora, são 11 registros, concentrados nos primeiros meses do ano.
Apesar da redução, o alerta permanece. O trabalho das equipes de saúde, reforçam os profissionais, depende diretamente da colaboração da população.
A orientação é manter a rotina semanal de verificação dentro de casa. Caixas d’água vedadas, recipientes sem acúmulo de água, ralos protegidos e limpeza de bebedouros de animais estão entre os cuidados básicos.
“São apenas 10 minutos por semana, mas que fazem toda a diferença. É esse cuidado dentro de casa que realmente impede a proliferação do mosquito”, resumiu Paula Márcia.