


Os pais suspeitos de agressão à filha de 10 anos, na noite da quinta-feira (1), no Santo Agostinho, em Volta Redonda, foram indiciados pelo crime de tortura. A decisão foi após o delegado Michel Floroshck ouvir o depoimento deles, da criança e de duas testemunhas. Eles foram presos em flagrante por ordem do delegado, que é titular em Resende e, no plantão, estava respondendo também pela Deam (Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher) de Volta Redonda, onde o caso foi registrado.
Detalhes dos depoimentos dos envolvidos obtidos pelo site Foco Regional deixam claro a relação conturbada dos pais com a criança, considerada por eles “agressiva” e “rebelde”. Nos depoimentos, no entanto, há um elemento decisivo para a relação explosiva: o consumo excessivo de álcool por parte dos pais.
Na noite da agressão que terminou na Deam, a menina foi socorrida por um cunhado da mãe dela. Ele contou que foi preciso arrombar um cadeado para entrar na residência, encontrando a vítima caída no banheiro, com muitas escoriações pelo corpo e pedindo para que o pai parasse com as agressões, presenciada pela irmã dela, de 7 anos.
Os depoimentos, inclusive dos próprios suspeitos, apontam que o pai estava dormindo quando foi acordado pela mãe, exigindo que ele “desse um jeito” na filha. O motivo teria sido o fato de ela não ter achado a criança em casa, enquanto a menina disse que havia ido à igreja à procura de uma tia e que, como não a encontrou, voltou logo para a residência.
Em seu depoimento, a mesma testemunha contou que quem pediu socorro para a filha foi a mãe, porém, disse também que já tinha presenciado a cunhada agredindo a menina em outras ocasiões e que, desta vez, enquanto a criança era medicada na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Santo Agostinho, teria ouvido a mãe dizer que daria outra surra na vítima por por causa da confusão que estava acontecendo.
A tia da menina também foi ouvida. Ela confirmou que a sobrinha tem uma relação difícil com os pais por apanhar com frequência, enquanto em sua casa a sobrinha se mostra uma pessoa tranquila, até ajudando nas tarefas domésticas.
Em seu depoimento, a vítima disse ao delegado que são poucos os momentos de afeto dos pais em relação a ela. Segundo a criança, quando seus pais bebem, ela é responsabilizada por tudo o que acontece na casa.
Afirmou ainda que se sente mais protegida quando está com a tia ou os avós do que quando está sob os cuidados de seus pais. Ela relatou que, ao ser acordado pela mãe, o pai lhe agrediu nas pernas, nos braços, nas costas e ainda lhe desferiu um tapa no rosto.
Enquanto o pai preferiu ficar em silêncio, a mãe, em seu depoimento, alegou que se irritou porque a filha teria ameaçado jogar ao chão um ventilador comprado recentemente.
Ela confirmou que acordou o marido para “corrigir a menina” e que o pai teria perdido a paciência por causa da reação agressiva da filha com ele. A mãe confirmou ainda que a surra só parou com a chegada de seu cunhado.
Ao decidir pelo indiciamento do casal por tortura, Floroschk considerou que eles provocaram “grave sofrimento físico na própria filha, mediante socos e tapas, como meio de correção, causando-lhe lesões e grave abalo psíquico”.