


O governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) pediu desculpas ao artista plástico Eugênio Fiúza, preso injustamente por 17 anos em Belo Horizonte, após ser confundido com um estuprador conhecido na década de 1990 como “Maníaco do Anchieta”. Os dois se encontraram na quarta-feira (23) na Cidade Administrativa. O encontro foi intermediado por um jornalista.
Zema classificou a situação vivida por Fiúza como “grande injustiça” e afirmou que, em momentos assim, o Estado deve abandonar a impessoalidade. “O Estado, apesar da distância com o cidadão, merece tratar a pessoa de forma diferente em casos como esse, tão injusto e tão longo. Não sei quantos “Eugênios” temos em Minas e no Brasil, mas precisamos demonstrar que o Estado reconhece o erro”, disse.
Eugênio aceitou o pedido, mas reiterou que aguarda o pagamento da indenização de R$ 2 milhões determinada pela Justiça. O governador disse que o estado de Minas não vai recorrer, mas também que não sabe quando será feito o pagamento.
Desde 2016, por decisão unânime do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Fiúza recebe uma pensão vitalícia de cinco salários mínimos mensais. “Se for para a fila do precatório, é questão do país. Se for um país de humanidade e política correta, ele me indenizaria agora. Eu não vou ficar aguardando fila”, disse o artista plástico.
Ele lembra que contou com a proteção divina enquanto esteve preso, além ter “feito política” para não sofrer nenhuma retaliação dentro da cadeia. “Tentaram me pegar várias vezes, mas eu me segurei e Deus me segurou”.
O CASO – Eugênio Fiúza de Queiroz foi condenado a 37 anos de prisão e passou 17 anos na cadeia. Segundo sua defesa, em agosto de 1995 ele estava conversando com a namorada em uma praça do bairro Colégio Batista, na capital mineira, quando foi abordado e algemado sem mandado de prisão.
Ele teria sido reconhecido por uma das vítimas de uma série de estupros que ocorreram na época. Na delegacia, outras vítimas também o apontaram como o autor dos abusos. Com base nesses depoimentos, o artista plástico foi indiciado por cinco estupros e, depois, condenado. Fiuza disse, ainda, que confessou os crimes à época, depois de ter sido submetido a torturas física e psicológica.
O artista plástico só foi solto em 2012, depois que o verdadeiro estuprador, Pedro Meyer, foi reconhecido por uma vítima e confessou os demais crimes. O real criminoso ficou detido por seis anos, 12 a menos que Eugênio Fiúza, até ter a soltura determinada pela Justiça em agosto de 2019. Condenado a nove anos de prisão, ele cumpriu dois terços da pena, o que lhe deu o direito à progressão de regime na ocasião. (Foto: Governo de Minas Gerais)