



O laudo da perícia técnica realizada no barco em que estava o casal Leonardo Machado de Andrade, de 50 anos, e sua ex-companheira Cristiane Nogueira da Silva, de 48, apontará como “inconclusivo” o motivo do naufrágio, no dia 22 de agosto, na Ilha Grande, em Angra dos Reis. A informação foi divulgada na coluna do jornalista Jorge de Souza, no portal Uol, nesta sexta-feira.
Embora ainda não tenha recebido oficialmente a análise, o delegado-titular de Angra dos Reis, Vilson de Almeida, confirmou ao jornalista a informação sobre a impossibilidade de se chegar a uma conclusão devido ao estado em que a embarcação foi resgatada do fundo do mar. “O barco estava tão deteriorado, tanto pelo tempo que passou debaixo d´água quanto pela dificuldade da própria operação de resgate dele do fundo do mar, que os técnicos não conseguiram chegar a uma conclusão sobre o que causou o naufrágio”, confirmou Vilson.
Leonardo e Cristiane, que avaliavam reatar a relação, saíram para um passeio quando desapareceram. O corpo da mulher foi encontrado uma semana depois, na Marambaia, a 50 quilômetros em linha reta do lugar onde o barco naufragou. O cadáver de Leonardo somente foi encontrado no dia 15 de setembro, na mesma região onde o barco afundou. A embarcação, porém, só foi resgatada no início deste mês.
O pescador Paulo de Souza, que havia comprado a embarcação e a emprestou a Leonardo para o passeio, confirmou ao jornalista que a forma que restou para o resgate do barco dificultou o trabalho da perícia. De acordo com ele, a operação “foi bem complicada”, pois o barco estava a 38 metros de profundidade, limitando o trabalho dos mergulhadores.
A falta de visibilidade, segundo ele, impediu que o casco fosse examinado no fundo do oceano “para ver se tinha algum rombo, nem fazer a operação de prender tambores no barco e enchê-los de ar, para que ele subisse sozinho, como é o certo nesses casos”. A única saída, acrescentou, foi usar um guindaste. “Mas foi ainda mais difícil, porque o cabo arrebentou duas vezes, quando o barco já estava quase na superfície e ele acabou despencando lá pra baixo mais duas vezes e ficou danificado. Depois, como era fundo demais para o guindaste puxar, o jeito foi arrastar o barco para uma parte mais rasa e trazê-lo para a superfície. Mas, ao arrastar o barco, o casco estragou ainda mais e o que sobrou não permitiu chegar a conclusão alguma mesmo”, acrescentou Souza.
Ele explicou ainda que, quando o resgate teve início, a embarcação estava sem a parte de cima da cabine, arrancada pela rede dos pescadores que encontraram o corpo do Leonardo. “Mas, quando ele finalmente foi retirado da água, estava bem destruído e isso deve ter ocultado o motivo do naufrágio. Se o barco bateu em algo ou foi atropelado por outro barco maior e afundou, o estrago pode ter sido no mesmo local que acabou destruído durante o resgate”.
Com a coluna dedicada a assuntos marítimos, o jornalista aponta as especulações sobre o que pode ter causado o naufrágio. Uma é que o barco tenha batido o fundo do casco em uma grande pedra, chamada de “laje” pelos ilhéus, localizada a cerca de 200 metros do local do naufrágio, a cerca de cinco quilômetros da praia do Provetá, na Ilha Grande. Segundo ele, nas marés mais baixas, a grande pedra quase aflora à superfície e, à noite, seria praticamente invisível.
Outra hipótese, embora não haja nenhum registro neste sentido, é que o barco tenha sido atingido por algum navio, pois o naufrágio ocorreu em área de acesso ao porto. Outra hipótese seria o barco ter virado e afundado imediatamente, ao ser atingido por ondas, geradas, talvez, pela passagem de algum navio. (Foto: Reprodução)