


Numa disputa acirradíssima, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito neste domingo (30), com quase 100% das urnas apuradas, o próximo presidente da República Federativa do Brasil. Ele voltará ao cargo em 1º de janeiro de 2023, duas décadas depois de assumir a presidência pela primeira, quando derrotou o tucano José Serra e sucedeu a Fernando Henrique Cardoso no cargo. Por sua vez, Jair Bolsonaro (PL) é o primeiro ocupante da presidência a não conseguir a reeleição.
Foi a disputa mais acirrada desde a redemocratização do Brasil, em 1989, após o regime militar. Bolsonaro liderou apertado até que o total de votos apurados chegou a 67%, quando Lula virou a contagem de votos. A partir daí, o petista não deixou mais a liderança. O resultado final aponta uma diferença de cerca de 1,8 milhão de votos para o petista.
Lula está com 77 anos, completados no último dia 27. No terceiro mandato que vai exercer, terá como vice o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que, para se aliar ao presidente eleito, trocou o PSDB pelo PSB.
Durante esta campanha, o petista deu declarações afirmando que não será candidato à reeleição. “Eu quero votar nos outros agora”, disse ele ao votar, pela manhã, em São Bernardo do Campo (SP).
A campanha petista foi centrada no discurso de apaziguar o país – uma tarefa que se mostra complexa diante da divisão mostrada pelo resultado final. Foi a eleição mais tensa desde 1989, que Lula disputou, superando o pedetista Leonel Brizola e chegando ao segundo turno, quando o eleito foi Fernando Collor de Mello.
Lula também concorreu em 1994, 1998, 2002 (quando se elegeu pela primeira vez) e 2006 (quando foi reeleito). Em 2018 ele foi impedido de disputar a eleição, pois teve a candidatura rejeitada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que acolheu contestação do Ministério Público apontando sua inelegibilidade com base na Lei da Ficha Limpa.
Naquela ocasião, Lula estava preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, depois de ser condenado pelo então juiz (hoje senador eleito pelo União Brasil) Sérgio Moro, sentença condenatória que foi mantida pela TRF-4. Até a candidatura ser impugnada, Lula liderava as pesquisas em 2018, mesmo estando preso. A condenação, no entanto, foi anulada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Lula deixou a prisão no final de 2019, após 580 dias. Desde então, voltou a ocupar a liderança nas pesquisas para a disputa, encerrada neste domingo.
Em busca da vitória, o petista firmou uma aliança ampla com diversos partidos. Na caminhada, trouxe para o seu lado nomes tradicionais como Marina Silva, que se desentendeu com o PT anos atrás, e Simone Tebet (MDB), senadora que concorreu à presidência este ano. Logo que o primeiro turno passou, ela declarou apoio a Lula, ganhando enorme importância na campanha contra Bolsonaro.
Nas últimas semanas, Lula recebeu também declarações de voto de várias esferas políticas, de direita e centro, também declararam voto em Lula. (Foto: Ricardo Stuckert)