



A Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres e Direitos Humanos (SMDH) de Volta Redonda repudiou neste domingo (16) a suspeita de crime de feminicídio sofrido por Rosely Lima Ferreira Dutra, de 29 anos. Ela morreu na madrugada do último dia 9 e seu companheiro, de 36 anos, foi preso em flagrante por agentes da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) como o principal suspeito. A morte, segundo o laudo pericial, foi provocada por “asfixia e enforcamento”.
Uma das causas do feminicídio é a questão de gênero, praticado pelo simples fato de a vítima ser mulher. Rosely, segundo depoimentos prestados por amigos na Deam, já tinha sido vítima de violência, mas não registrou nenhuma ocorrência policial. A secretária lembra que Volta Redonda dispõe de uma rede para atendimento de mulheres vítimas da violência doméstica.
A rede é composta pela Defensoria Pública; Promotoria da Justiça junto ao Juizado Especial da Violência Doméstica e Familiar; Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam); Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres e Direitos Humanos; Patrulha Maria da Penha; Guardiões da Vida (da Polícia Militar); Casa Abrigo; setor de Saúde Mental, da Secretaria Municipal de Saúde e os serviços sociais.
“A luta é grande. O nosso foco é a construção de uma sociedade justa e humana, que respeite a mulher como ser humano”, enfatizou Glória.
A secretária elogiou o trabalho da equipe de policiais da Deam, que tem à frente a delegada Juliana Almeida, que agiu rápido para evitar a fuga ou a impunidade do suspeito, e foi solidária ao sofrimento dos familiares.
“Nós queremos prestar a nossa solidariedade e sentimentos aos familiares de Rosely. E lamentar profundamente os sentimentos machistas de alguém que trata a mulher como o seu objeto, sem nenhum respeito pela vida humana. Sentimos muito que a jovem Rosely não tenha procurado ajuda na rede pública antes desse trágico acontecimento, que deixou a nós, mulheres, numa profunda revolta com esse crime monstruoso que poderia ter sido evitado”, disse Glória.
Ceam – A secretaria tem ainda o Ceam (Centro Especializado de Atendimento à Mulher), que funciona no segundo andar da sua sede, na Rua Antonio Barreiros, 232, bairro Nossa Senhora das Graças, e que pode ser contatado pelos telefones 3339-9215 e 3339-9025, funcionando de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
A coordenadora do órgão, Vanilda Coutinho, explica que são prestados serviços de assistência jurídica, psicológica, social, de orientação e informação para a mulher em situação de violência doméstica. Ela também fez duras críticas ao comportamento machista que levou ao crime contra Rosely.
“O feminicídio é o assassinato de uma mulher pela condição de mulher. Suas motivações são o ódio, o desprezo ou o sentimento da perda de controle e da propriedade sobre as mulheres, que são tratadas como objeto e não como ser humano. Existem muitas razões para uma mulher não conseguir romper com um relacionamento violento. O maior de todos os desafios é justamente romper a relação e procurar ajuda. O relacionamento abusivo é vivido com vergonha e medo. Além da esperança da mulher de que o seu companheiro ou namorado mude de comportamento”, exemplifica.
Vanilda ressalta que muitas vezes a vítima está isolada da sua rede de apoio, dos familiares ou se sente envergonhada e ameaçada para registrar a denúncia. E acrescenta: “Não podemos julgá-la por isto. Ela não deveria viver num ambiente de hostilidade, xingamentos, ameaças constantes, agressões físicas e psicológicas”. (Foto: Divulgação)