


Barra do Piraí passou a integrar oficialmente os registros científicos da avifauna brasileira com o primeiro registro fotográfico do socoí-amarelo (Ixobrychus involucris) no município. A ave, considerada rara e típica da Mata Atlântica, nunca havia sido documentada cientificamente na cidade, o que torna a ocorrência um marco histórico para a conservação ambiental local.
O registro mais próximo da espécie na região havia sido feito em 2013, no município de Piraí, de forma exclusivamente sonora, sem registro fotográfico. Agora, após mais de uma década, Barra do Piraí passa a constar oficialmente como área de ocorrência da espécie, com documentação válida para plataformas e bancos de dados científicos. O socoí-amarelo foi entregue, no domingo (21), por um morador à Secretaria Municipal de Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS) após aparecer de forma inesperada em um quintal residencial. A equipe técnica realizou o acolhimento e a avaliação do animal, constatando que se tratava de um exemplar adulto, em boas condições físicas.
De acordo com Gustavo Amorim, agente administrativo da SEMAS e formado em Ciências Biológicas, o animal não apresentava ferimentos ou sinais de debilidade. “Ele foi avaliado pela nossa equipe e estava com o físico íntegro, sem nenhum dano aparente. Estava bem, ativo e em plenas condições de retornar para a natureza”, explicou.
Por se tratar de uma espécie associada a áreas úmidas com vegetação densa, especialmente taboas e juncos, a soltura foi realizada em um local previamente analisado pela equipe. “A gente procurou uma área hídrica que tivesse taboa, que é a vegetação onde ele costuma viver. Assim que encontramos esse local adequado, fizemos a soltura e acompanhamos o momento para ter certeza de que estava tudo certo”, completou Gustavo.
A equipe técnica acompanhou o deslocamento da ave até seu retorno à vegetação, confirmando o sucesso da reintegração ao habitat natural. O socoí-amarelo é uma ave de hábitos discretos, que vive entre capins altos, juncos e áreas alagadas, raramente sendo vista. Seus voos são curtos e baixos, geralmente sobre o topo da vegetação, o que dificulta registros visuais.