


Passados quase 15 anos do crime, a Justiça de Barra Mansa vai julgar, no próximo dia 7, um homem acusado do assassinato da auxiliar de serviços gerais Maria Aparecida Roseli Miranda. Aos 22 anos, ela foi encontrada morta dentro de uma caçamba de lixo no interior da Siderúrgica Barra Mansa (SBM) – hoje AcelorMitall – no bairro Saudade. O acusado de matar a jovem é Mauro Cerqueira, de 64 anos. Indiciado em 2014, ele aguarda o julgamento em liberdade. A sessão do Tribunal do Júri está marcada para começar às 13h30min.
A morte de Maria Roseli teve grande repercussão na cidade. Manifestações cobrando o esclarecimento da autoria do crime e pedindo Justiça foram realizadas na cidade. Depois de muitas especulações sobre suspeitos, o caso acabou caindo no esquecimento.
Mãe de um menino à época com 2 anos, Maria Roseli morava com os pais na Vila Nova. Funcionária da Gran Sapori, uma empresa terceirizada do ramo de alimentação, ela ia para o trabalho todos os dias caminhando – a siderúrgica fica próxima de onde reside sua família. Contudo, em 17 de fevereiro de 2008, um domingo, ela entrou na fábrica, como registraram câmeras de segurança e, depois, não foi mais vista. Seu corpo foi achado na lixeira na manhã da terça-feira, dia 19, quando um caminhão se preparava para recolher a caçamba. O cadáver estava com as mãos amarradas. O exame de necropsia apontou que a auxiliar de serviços gerais foi morta por asfixia.
Mistério – Até hoje, o assassinato está cercado de perguntas sem resposta. A principal é o que teria motivado o crime. Mauro, que na ocasião tinha 49 anos e trabalhava como faxineiro da ISS, outra empresa terceirizada, nega a autoria. Em depoimento à Justiça, ele disse que conhecia a vítima de vista, mas que jamais teve proximidade ou sequer chegou a conversar com ela.
As investigações do caso passaram por vários delegados. A advogada da família de Roseli, Monique Medeiros, no entanto, destaca a dedicação ao crime do então chefe do Setor de Homicídios, Reginaldo Oliveira. “Foi ele quem conseguiu cronometrar tudo e chegar ao suspeito”, afirma a advogada. Segundo ela, as imagens captadas pelas câmeras mostram que, tão logo Roseli passou pela entrada da fábrica, Mauro teria ido atrás dela. No entanto, não havia câmeras para monitorar todo o percurso feito pela vítima até o local onde se supõe que tenha sido atacada: o vestiário feminino.
“Mas, no máximo 10 minutos depois, outra funcionária chega e encontra ele. Conforme testemunhas, ele nunca tinha sido visto limpando o lugar. Provavelmente, a Maria Roseli foi morta dentro do vestiário”, acredita Monique.
Outra pergunta sem resposta se estabelece neste ponto. Como a caçamba de lixo foi recolhida na segunda-feira, onde o corpo foi mantido até ser descoberto na manhã seguinte? Para a advogada, o cadáver pode ter ficado escondido dentro do box do vestiário – a vítima tinha baixa estatura – e retirado com um carrinho de lixo somente no dia seguinte.
“Quem desconfiaria de um faxineiro empurrando um carrinho de lixo com um corpo dentro de um saco plástico?”, questiona Monique. Sobre o que poderia ter motivado o crime, ela responde: “Aí é que está. Ninguém sabe”.
Ainda de acordo com a advogada da família, não foi possível constatar se Maria Roseli sofreu algum tipo de violência sexual, por conta da contaminação do lixo. “Há um indício de que tenha havido, mas não foi possível comprovar. Ela vestia calça jeans e estava sem calcinha. Toda mulher sabe que é desconfortável vestir jeans sem calcinha, porque incomoda, machuca”, diz.
Outro lado – A advogada Dulcinéa Peixoto Nelson, que defende Mauro, preferiu não antecipar a tese que vai levar ao júri, mas se disse convicta de sua inocência. “Falando por mim e também pelo Mauro, lamentamos muito a perda da família com um crime brutal, mas a família dele também está destruída com esta situação”, afirma. “Acredito na inocência dele, ainda mais pelo que consta nos autos. Mauro é um homem humilde, honesto e trabalhador, sem anotações criminais, que até agora não entende o que pode ter levado o processo a esta fase final”.
Mauro, segundo a advogada, hoje trabalha como autônomo. A acusação lhe custou o emprego. “Ele já sofreu uma injustiça muito grande”, diz Dulcinéa.
Ainda que otimista quanto à absolvição de seu cliente, ela disse que tanto Mauro quanto a família já estão cientes de que pode haver uma sentença condenatória, mas, adiante: “Evidente que, se houver condenação, vai ser contrária às provas dos autos e a defesa vai recorrer”. (Fotos: Álbum de família e Arquivo)