


O pior aconteceu. O que, em princípio, era apenas um temor se transformou em realidade esta semana: a empresa terceirizada Corpore, prestadora de serviços à Secretaria de Saúde de Volta Redonda deixou a cidade, sem quitar o pagamento dos funcionários referente ao mês de agosto. A prestadora de serviços recebeu da prefeitura o valor suficiente para quitar a folha de pagamento, segundo informa a Secretaria de Saúde, mas sua diretoria decidiu pagar somente 50 por cento da folha e aguardar o complemento. Devendo certidões ao Poder Público, não providenciou os documentos. Esta semana, complementou os salários de alguns privilegiados. Não apresentou as certidões necessárias para a prorrogação do contrato e, desde o último dia primeiro de outubro deixou, oficialmente, de prestar serviços ao Município de Volta Redonda.
Na tarde desta terça (2), desesperados, os funcionários tiveram uma reunião com o Secretário de Saúde, Alfredo Peixoto. O encontro em que houve uma conversa acalorada, confirmou oficialmente a notícia do desligamento da empresa. Os servidores foram orientados a buscar os direitos trabalhistas junto à Justiça do Trabalho. A empresa abandonou a cidade sem dar baixa na carteira, sem pagar as verbas indenizatórias, sem fazer a liberação do FGTS, seguro desemprego e outros direitos trabalhistas. A Corpore está mesmo fora do rol de prestadores de serviços da Prefeitura, desde o último dia primeiro.
Como se pode observar, esta foi mais uma empresa terceirizada, contratada pelo Município, que agiu de má fé com os funcionários: gente honesta, humilde, trabalhadora, que viu a empresa desviar os recursos que deveriam ser aplicados na quitação dos salários. A Prefeitura, em boa hora, reteve parte do pagamento que deveria ser feito à Corpore e depositou judicialmente, preservando alguns direitos dos trabalhadores, com esse valor serão pagos os salários de agosto e setembro, porém sem previsão de datas. Tudo dependerá da tramitação do processo judicial.
Por decisão da Secretaria de Saúde, não haverá solução de continuidade na prestação de serviços. Será adotado, temporariamente, o sistema de RPA, por alguns meses, até que um Concurso Público seja realizado ou até a contratação de outra empresa.
Mais um grupo de famílias, da área de saúde, em Volta Redonda, vive momentos dramáticos. A insegurança é palavra de ordem para quem trabalhava para a Corpore e para aqueles que, durante anos, prestaram serviços ao Hospital Vita, e não foram aproveitados para gestores do Hospital das Clínicas.
O outro lado
Em documento enviado ao prefeito Samuca Silva, o Instituto Corpore revela que há um passivo de mais de R$ 4,7 milhões relativo ao contrato encerrado em 31 de setembro (sic). Os pagamentos a menor se arrastam desde a administração do ex-prefeito Antônio Francisco Neto, segundo o documento.
A dívida da PMVR, registrada pela Corpore, começou em abril de 2016 e se arrastou até dezembro, quando terminou o mandato do ex-prefeito Neto, mas os pagamentos incompletos, de acordo com a prestadora de serviços, continuaram após o início do Governo Samuca.
O documento revela que ao ser iniciado o novo governo já havia uma dívida superior a R$ 2,5 milhões. O montante, neste ano de 2018 já chega a quase o dobro. A empresa argumento que tentou, em várias oportunidades, repactuar o contrato, mas não obteve sucesso junto a atual administração.
O documento assinado por Crys Angélica Ribeiro de Carvalho é concluído com a notificação ao prefeito e à Secretaria de Saúde para realizarem, no prazo de 48 horas, o pagamento de todo o valor retido – R$ 4,7 milhões – sob pena da adoção imediata de medias cabíveis.
A empresa enviou nota oficial que você vê clicando aqui.