


A Justiça de Paraty condenou a 80 anos de prisão Fernando Evangelista da Silva, de 42 anos, acusado de matar três enteados e da tentativa de feminicídio de sua companheira, mãe das crianças. O crime, que chocou a cidade litorânea, ocorreu em janeiro de 2020. A sentença de condenação do réu saiu na noite da terça-feira (31). Ele foi imediatamente preso ao fim do julgamento. O caso aconteceu na Rua 1º de Maio, no bairro Ilha das Cobras. De acordo com a denúncia do Ministério Público, Fernando provocou um incêndio que resultou na morte das crianças Marya Clara de Almeida Santos, de 7 anos; Cauã de Almeida Santos da Conceição, de 5, e Marya Alice de Almeida Santos da Conceição, de 4. Inicialmente, ele tentou imputar culpa a uma das crianças.
Mas, conforme a denúncia, Fernando ateou colocou um colhão na porta de entrada do imóvel e ateou fogo, impedindo a saída das vítimas. As crianças dormiam no momento do incêndio, no início da manhã, enquanto a companheira dele, Dara Cristina de Almeida Santos Souza, então com 25 anos, foi trancada no banheiro. O réu deixou o local após trancar a casa, inviabilizando qualquer possibilidade de fuga das vítimas.
Fernando foi condenado por triplo homicídio qualificado das crianças e feminicídio tentado. A pena foi agravada pelo fato de as vítimas serem menores de 14 anos. Durante os dois dias de julgamento, os promotores de Justiça Rita Madero e Matheus Rezende, sustentaram o pedido de condenação demonstrando, com base em provas técnicas e testemunhais, a dinâmica do crime e a motivação torpe, associada ao inconformismo do réu com o fim relacionamento e o fato de ser rejeitado pelas crianças.
“Trata-se de um caso de extrema complexidade, que envolveu a morte de três crianças e a tentativa de feminicídio, deixando uma família devastada. Este julgamento foi realizado em segunda sessão, após o abandono do plenário pela defesa no primeiro julgamento, em um episódio que representou nova violação à dignidade das vítimas”, destacou a promotora Simone Sibílio.
“Havia constantes brigas entre o casal. Ele era bastante ciumento com ela e agressivo com as crianças”, disse na ocasião o então delegado de Paraty, Marcello Russo, hoje lotado em Porto Real. (Fotos: Reprodução)
