


Agentes da Polícia Federal e procuradores da República estão nas ruas, desde as primeiras horas da manhã desta quinta-feira (8), para cumprir 22 mandados de prisão expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Dez deles contra deputados estaduais do Rio de Janeiro, sendo que três deles, no caso Edson Albertassi, Jorge Picciani e Paulo Melo, já estão presos.
A Operação “Furna da Onça”, deflagrada nesta quinta, é um desdobramento da operação Cadeia Velha, que prendeu os deputados em 2017. A operação expõe um esquema de compra de votos com dinheiro de propina e distribuição de cargos iniciado no primeiro governo de Sérgio Cabral, em 2007, e mantido até hoje, de acordo com as investigações. Em decisão histórica, cinco desembargadores da 1ª Seção Especializada do TRF-2 assinaram os 22 mandados de prisão – o único a não assinar dos seis integrantes estava em licença médica.
A operação foi batizada de Furna da Onça em alusão a uma pequena sala, nos fundos do plenário do Palácio Tiradentes, sede da Alerj, onde os deputados se reúnem para conversas reservadas antes e durante as votações.
Em sessão secreta no dia 25, os desembargadores aprovaram por unanimidade as prisões temporárias dos deputados Andre Correa (DEM), Coronel Jairo (Solidariedade), Luiz Martins (PDT), Chiquinho da Mangueira (PSC), Marcelo Simão (PP), Marcos Abrahão (Avante) e Marcos Vinícius Vasconcelos Ferreira, o Neskau (PTB). Também foram aprovadas as prisões preventivas dos deputados Jorge Picciani, Edson Albertassi e Paulo Mello, que já se encontram presos desde novembro do ano passado, por conta da operação anterior – Picciani vai continuar em prisão domiciliar, favorecido por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O relator dos dois casos, desembargador Abel Gomes, nem sequer precisou ler o voto para ser acompanhado pelos demais colegas.
Vinicíus Farah, vice-presidente do Detran-RJ, foi preso na operação. Ele disputou as eleições este ano e foi eleito com 57.707 votos pelo MDB para deputado federal
Quanto recebiam
De acordo com as investigações, em troca de propina mensal, que variava de R$ 20 mil a R$ 100 mil e cargos, os deputados votavam sistematicamente a favor dos interesses de Cabral e Picciani, incluindo o boicote à CPI dos Ônibus, revogação das prisões decretadas pela “Cadeia Velha” e a aprovação das contas do governo. Entre os outros 12 mandados de prisão temporária, encontram-se o atual presidente do Detran, Leonardo Silva Jacob, e o secretário estadual do Governo Pezão, Affonso Monnerat, ambos envolvidos na chamada farra de cargos do Detran. Por determinação do tribunal, serão cumpridas ainda buscas e apreensões em mais de 40 endereços, entre os quais gabinetes da Alerj.
Os 22 envolvidos são acusados de corrupção ativa e passiva e de formação de organização criminosa – os demais crimes, como lavagem de dinheiro, serão apurados no decorrer das investigações. As principais provas colhidas pela força-tarefa da Procuradoria Regional da República da 2ª Região (PRR-2), em parceria com a Polícia Federal, para fundamentar a “Furna da Onça”, são a delação do ex-operador do esquema Cabral Carlos Emanuel de Carvalho Miranda, homologada pelo ministro Dias Toffoli, somada às provas colhidas nas delações dos doleiros Vinícius Claret, o Juca Bala, Cláudio Barbosa, o Tony. No sistema financeiro paralelo que a dupla operava, o ST, apareceram depósitos em nome de assessores dos parlamentares citados por Miranda.
As investigações também encontraram provas do favorecimento a deputados em planilha com o loteamento de cargos do Detran, apreendida no ano passado no gabinete de Albertassi, e em lista de distribuição de cargos apreendida no gabinete de Paulo Melo.
Alerj
A sessão plenária de hoje, está mantida na ALERJ. Entretanto, os deputados estaduais não devem votar hoje, a soltura dos deputados que estão sendo presos na operação Furna da Onça, a exemplo do que ocorreu ano passado quando foram presos Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi. A casa deve esperar uma posição do TRF.