




O Grupo Casas Bahia entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo após registrar um prejuízo de aproximadamente R$ 10 bilhões no segundo trimestre de 2026. O resultado negativo foi 18 vezes superior ao apurado no mesmo período do ano passado. Ao todo, a companhia busca renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas. Segundo a empresa, a medida tem como objetivo reorganizar as finanças e garantir a continuidade das operações enquanto negocia seus compromissos com credores. A reportagem é do portal Metrópoles.
O pedido foi aprovado pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador e protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em processos de falências e recuperações judiciais. Ao justificar a decisão, o grupo afirmou que enfrenta um cenário de liquidez restrita e que a recuperação judicial passou a ser necessária para avançar na reestruturação financeira, preservar as atividades da companhia e buscar uma solução organizada para o pagamento das obrigações.
Entre os fatores apontados pela empresa para o agravamento da situação financeira estão as taxas de juros elevadas, as dificuldades para obtenção de crédito, o crescimento dos custos financeiros e a pressão sobre o consumo e o capital de giro. O pedido não envolve somente a principal empresa do grupo. Também foram incluídas no processo companhias ligadas às áreas de logística, serviços e negócios digitais, entre elas ASAP Log – Logística e Soluções Ltda., ASAP Log Ltda., CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística Ltda., Cntlog Express Logística e Transporte Ltda. e Globex Administração e Serviços Ltda.
Esta não é a primeira iniciativa da Casas Bahia para reorganizar suas dívidas. Em 2024, a companhia realizou uma recuperação extrajudicial que envolveu a renegociação de aproximadamente R$ 4,1 bilhões junto a instituições financeiras.
O pedido de recuperação judicial ocorre também em meio a mudanças na alta administração. Fábio Spina deixou o cargo de vice-presidente Jurídico e Tributário, função que ocupava havia dois anos.
Para assumir a posição, foi escolhida Sírley Lima, executiva com mais de duas décadas de experiência profissional e passagens por empresas como Heineken, Pernod Ricard, Souza Cruz e EY.
A Casas Bahia também comunicou mudanças em seus conselhos. Jackson Schneider e Rogério Calderón deixaram seus postos. Cláudia Quintella Woods deverá ocupar uma vaga no Comitê de Auditoria Estatutário, enquanto André Luiz Helmeister passará a integrar o Comitê de Finanças.
A crise financeira também terá reflexos diretos na estrutura física e no quadro de funcionários da varejista. O plano de reestruturação prevê o encerramento de 298 lojas, o equivalente a aproximadamente 28,7% da rede.
A companhia também prevê a demissão de 1,9 mil a 3 mil funcionários. O processo de cortes e fechamento de unidades ganhou força nos dias 13 e 14 de agosto de 2026.
As medidas fazem parte da tentativa do Grupo Casas Bahia de reduzir despesas, reorganizar sua operação e enfrentar o elevado endividamento enquanto busca na Justiça condições para renegociar suas obrigações.