




Organizar um congresso com mais de 1.500 estudantes de Medicina, representantes de mais de 25 escolas médicas, 120 trabalhos científicos e 20 minicursos práticos exige mais do que interesse acadêmico, exige liderança, tomada de decisão, comunicação, rede de contatos e capacidade de lidar com responsabilidades que também fazem parte da formação profissional.
Foi nesse lugar que Fernanda Perez, estudante do 9º período do curso de Medicina do UniFOA, esteve à frente do Congresso Carioca de Estudantes de Medicina (CCMED), um dos maiores eventos voltados à graduação médica no Rio de Janeiro. Durante três dias, o congresso reuniu atualização científica, atividades práticas, networking e discussões sobre os desafios da residência médica e do futuro da profissão.
Fernanda já conhecia o funcionamento do congresso pelas edições anteriores, mas a presidência colocou a estudante em uma posição diferente. Além da responsabilidade pelo evento, ela precisou conciliar a organização com a rotina do internato médico.
“Foi bem desafiador organizar o CCMED. Eu já havia participado das outras duas edições como parte da comissão organizadora, mas este ano, sendo presidente e responsável geral por tudo, foi bem mais intenso. Ainda mais já estando no internato, que demanda uma grande entrega da nossa parte. Mas, ao mesmo tempo, me fez crescer demais”, contou.
A organização também teve participação de outros estudantes do UniFOA. Davi Coelho, que acompanha o CCMED desde a primeira edição, esteve ao lado de Fernanda. Neste ano, o grupo também contou com Maria Eduarda Araújo, Isabella Marongio e Ariana Valle.
A experiência acadêmica construída no UniFOA ajudou Fernanda a chegar ao congresso com repertório. Antes de presidir o CCMED, ela participou de ligas acadêmicas, atuou no Diretório Acadêmico Paulo Mendes (DAPAM), foi diretora de ensino, presidente do diretório e integrou a organização de eventos do curso de Medicina da instituição.
“Acho que ter me envolvido com ligas e diretório acadêmico desde o início da faculdade me deu uma boa bagagem. Já havia organizado alguns congressos de Medicina da FOA, então já tinha uma noção para o CCMED. E ter atuado como diretora de ensino e, posteriormente, como presidente do DAPAM me ajudou bastante com as várias demandas que temos quando trabalhamos com pessoas diferentes e somos responsáveis pelas decisões finais”, explicou.
Para a estudante, a formação médica também acontece quando o aluno circula por outros espaços, conhece profissionais, participa de eventos e desenvolve habilidades que não aparecem apenas no conteúdo curricular.
“Acredito que a Medicina vai muito além da faculdade. A gente precisa sair da sala de aula e dos ambientes comuns para aprender mais, fazer networking e desenvolver novas habilidades. É incrível poder conhecer de perto grandes nomes da Medicina, conversar com eles, falar sobre os nossos medos e receios ao longo do curso. É como se eu recebesse um gás a mais para seguir”, afirmou.
A presença do UniFOA no CCMED também apareceu na programação. Fernanda convidou profissionais formados ou ligados à instituição para atividades que tiveram grande participação dos congressistas. Entre elas, a palestra da médica egressa Caroline Magalhães sobre “O Corpo em Alta Performance: o papel dos suplementos e os riscos dos anabolizantes”; o curso de ACLS ministrado por Gleicy Rocha; e o minicurso sobre comunicação de notícias difíceis na Medicina, conduzido por Bruna Casiraghi e Stéfanie Peloggia.
“Tanto a palestra quanto os minicursos ficaram lotados e foram muito elogiados. É muito bom poder ver os colegas que se formaram na FOA, e nossos professores sendo reconhecidos fora de Volta Redonda. E poder contribuir para que isso aconteça é incrível”, destacou Fernanda.
O convite para Bruna Casiraghi nasceu de uma experiência anterior em sala de aula. Os estudantes haviam participado de uma oficina conduzida pela professora no UniFOA e entenderam que aquele conteúdo também poderia contribuir com alunos de outras instituições.
“Foi muito legal receber o convite dos alunos. Eles tinham participado da nossa oficina durante uma aula e acharam que seria interessante levar para o congresso. Saber que a nossa aluna é presidente de um congresso desse vulto, com uma participação fantástica dos alunos, é muito gratificante”, afirmou Bruna.
No evento, a oficina sobre comunicação de notícias difíceis exigiu envolvimento dos participantes em uma atividade prática, com dramatização e discussão sobre uma das situações mais delicadas da atuação médica.
“A nossa oficina era prática, envolvia dramatização e tratava de um assunto complexo, difícil de ser trabalhado. Tivemos uma participação muito boa, não só em número, mas em envolvimento dos alunos. O retorno no final foi muito interessante”, avaliou.
Bruna dividiu a atividade com Stéfanie Peloggia, médica psiquiatra, professora do UniFOA e sua ex-aluna. A parceria também mostrou outro ciclo da formação acadêmica: quem antes participou como estudante hoje retorna como docente.
“A Stéfanie foi minha aluna de iniciação científica, depois minha orientanda no mestrado, e hoje é professora do UniFOA. Ela é peça essencial nessa oficina, porque traz o olhar médico para a atividade. Ver que ela teve essa experiência como aluna e hoje reproduz isso como professora é muito emocionante e gratificante”, destacou.
Egressa do curso de Medicina do UniFOA, Caroline Magalhães também reencontrou no CCMED uma parte da própria trajetória. Durante a graduação, ela participou da organização de eventos e do diretório acadêmico. Desta vez, voltou como palestrante.
“Foi um prazer gigantesco. Durante a faculdade, tive a oportunidade de organizar vários congressos, mas foi minha primeira vez como palestrante. É muito legal poder compartilhar um pouco do nosso conhecimento com estudantes que vão se tornar médicos em breve, ainda mais sobre um assunto tão em alta e tão importante para profissionais e futuros profissionais”, contou.
O convite feito por Fernanda teve significado especial para Caroline. As duas ocuparam, em momentos diferentes, espaços semelhantes dentro da vida acadêmica do curso.
“A Fernanda entrou no diretório assumindo uma posição que um dia foi minha. Ela foi diretora de ensino, como eu também fui. Então a gente já tinha uma relação de admiração. Quando ela me chamou, fiquei muito feliz. Vê-la organizando e conduzindo o evento me fez lembrar muito da minha época e trouxe um sentimento de casa”, afirmou.
Para Caroline, as experiências vividas no UniFOA ajudaram a desenvolver habilidades que seguem presentes em sua atuação profissional, inclusive na comunicação com pacientes, na presença em eventos e na construção de oportunidades no mercado.
“Durante a faculdade, desempenhei muitas funções. Desde a graduação, eu já estava acostumada a lidar com esse ambiente. A FOA sempre me permitiu estar em posição de protagonismo, participando da abertura e da organização de eventos importantes. Isso foi um diferencial não só para participar de novos eventos, mas também no meu trabalho, na comunicação com pacientes, nas redes sociais e na abertura de portas no mercado”, explicou.
À medida que se aproxima do fim da graduação, Fernanda também enxerga a participação em eventos como parte da construção da própria identidade profissional.
“Quanto mais perto do final da faculdade chega, mais a gente percebe o quanto somos observados o tempo inteiro. Como nos comportamos diante das situações, nossa dedicação, empenho, disciplina e proatividade. Tudo isso vai compondo a nossa imagem diante de médicos que vão abrir ou fechar portas para a gente. Acredito que as oportunidades vão aparecendo conforme a gente se mostra pronta para elas”, afirmou.
A atuação de Fernanda no CCMED evidencia uma dimensão importante da formação médica: o estudante também se desenvolve quando assume responsabilidades, organiza projetos, representa sua instituição e aprende a dialogar com diferentes profissionais. No congresso, essa trajetória apareceu em forma de liderança estudantil, presença de egressos e docentes do UniFOA e reconhecimento da formação construída dentro e fora da sala de aula.