




A amamentação pode parecer um gesto natural, mas, para muitas mães, esse início vem acompanhado de dúvidas, inseguranças e necessidade de orientação. Durante o Agosto Dourado, mês dedicado à conscientização sobre o aleitamento materno, o Hospital da Fundação Oswaldo Aranha (H.FOA) recebeu uma roda de conversa com mães de bebês internados na UTI Neonatal.
A atividade foi conduzida por alunos do curso de Medicina do UniFOA, integrantes do projeto Ouro Líquido, iniciativa voltada à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. Durante o encontro, os estudantes conversaram com as mães sobre a importância da amamentação, esclareceram dúvidas, abordaram mitos e verdades e realizaram demonstrações práticas sobre pega correta.
A ação também incluiu orientações sobre cuidados básicos com o bebê, como troca de fraldas, banho e manobra de desengasgo, sempre em um ambiente de diálogo e acolhimento. A proposta foi aproximar informação, prática e escuta em um momento delicado para famílias que acompanham seus bebês na UTI Neonatal.
Thaíssa, estudante de Medicina e integrante do projeto Ouro Líquido, destacou que a roda de conversa teve como objetivo oferecer apoio às mães durante o Agosto Dourado.
“Foi muito bacana e espero que a gente consiga vir mais vezes e repetir esse processo, que é tão importante para as mães, para os bebês e para a saúde”, contou.
Também integrante do projeto, Diogo ressaltou a participação das mães e a troca construída durante a atividade.
“Hoje viemos discutir com as mães questões relacionadas ao aleitamento, a importância disso, ainda mais neste mês do Agosto Dourado. Falamos sobre as formas corretas de pega e fizemos uma pequena oficina com bonecos representando os bebês. As mães foram muito gentis, muito participativas. Foi maravilhoso”, afirmou.
A pediatra Thaís Ferraz, que estava de plantão na UTI Neonatal, também acompanhou parte da atividade e contribuiu com orientações relacionadas ao aleitamento materno e ao Banco de Leite. Para ela, o contato dos estudantes com esse tema ainda durante a graduação é essencial para a formação de futuros profissionais de saúde.
“Considero fundamental que o interesse pelo aleitamento materno comece ainda durante a graduação. Os futuros profissionais de saúde precisam sair da faculdade não apenas reconhecendo os benefícios do leite materno, mas preparados para orientar, acolher e, principalmente, manejar as dificuldades que podem surgir ao longo da amamentação”, destacou.
Segundo Thaís, apoiar o aleitamento materno não pode ser uma responsabilidade colocada apenas sobre a mãe. A rede de cuidado precisa estar preparada para orientar e acolher.
“Quando despertamos esse interesse ainda na graduação, contribuímos para formar profissionais que compreendem que proteger, promover e apoiar o aleitamento materno é uma responsabilidade coletiva. A mãe não pode carregar sozinha a responsabilidade pelo sucesso da amamentação”, completou.
Professor responsável pelo projeto Ouro Líquido, Arthur Vilela avaliou que a ação mostra como a teoria pode despertar nos alunos o desejo de estar mais próximos da prática e da educação em saúde.
“É muito gratificante ver que a teoria despertou algo nos alunos a ponto de desejarem estar mais presentes na prática real, orientando e fazendo educação médica, que é tão importante e faz parte do ser médico”, afirmou.
Para Arthur, iniciativas como essa ajudam a desenvolver competências que vão além do conteúdo aprendido em sala de aula.
“Principalmente quando a demanda vem dos alunos, essas atividades os colocam de frente com a vida real, com suas dificuldades e alegrias. Elas desenvolvem partes do caráter que a teoria e a sala de aula não desenvolvem”, destacou.
A roda de conversa na UTI Neonatal integrou as ações do Agosto Dourado no H.FOA e aproximou mães, estudantes e profissionais de saúde em torno de um mesmo objetivo: fortalecer o cuidado com os bebês e apoiar as famílias no processo de amamentação.
Na prática, a atividade mostrou que orientar sobre aleitamento materno também é uma forma de cuidado. Para os estudantes, foi uma experiência de formação. Para as mães, um espaço de escuta e apoio. Para o H.FOA, mais um passo na construção de uma assistência materno-infantil cada vez mais preparada para acolher, orientar e cuidar.