

O jovem João Pedro, de 28 anos, é nascido e criado em Volta Redonda, no bairro Colina, mas há 9 anos vive no Rio de Janeiro onde foi estudar e trabalhar. No dia 3 de Dezembro de 2015, quando ainda tinha 25 anos de idade, e muitos sonhos, Pedrinho, como é conhecido pelos familiares e amigos em Volta Redonda, deu entrada no Hospital Federal da Lagoa, onde foi diagnosticado com Pancreatite Aguda Grave, doença que apresenta taxa de mortalidade de até 90% dos casos. Com exclusividade, ele conta aqui o porquê do projeto e como foi essa difícil jornada pela vida. Confira nosso bate papo. O link para o piloto do documentário está no final da matéria.
Renan Cury: João, quais foram suas primeiras impressões ao entrar no hospital em um estado tão grave?
João: Bom, as pessoas sempre me perguntam isso, mas num primeiro momento nós não temos noção do quão grave pode ser uma doença. Eu me lembro de chegar com muitas dores na região abdominal e muito desidratado. Após alguns exames de imagem chegou o diagnóstico. Fui imediatamente levado para um CTI, por onde fiquei mais 3 meses.
Renan Cury: Três meses no CTI é muita coisa. O que você recorda dessa fase e quais eram as situações que mais lhe incomodavam?
João: Então, tirando a maratona de 19 cirurgias que passei naquela época, o dia a dia de uma unidade de terapia intensiva é muito desgastante. Você praticamente não dorme por conta da luz, do barulho e do constante movimento. Eu estive o tempo todo lúcido e isso foi algo que me fez enxergar e obter um olhar mais crítico de como é a rotina de um hospital.
Renan Cury: Você em algum momento achou que era o fim?
João: Sendo muito honesto, eu nunca imaginei que era minha hora. Eu sabia que era muito difícil a situação, mas recebi muita ajuda de toda a equipe médica e dos meus familiares. Mas é claro que assusta. Na época eu tinha 25 anos, no auge da minha autonomia, liberdade e juventude, e de uma hora pra outra estava deitado em um leito, completamente invadido, usando sondas, drenos, fraldas, precisando de ajuda para tomar banho e outras coisas. Mas por outro lado é um grande aprendizado.
Renan Cury: Conta mais sobre esse aprendizado?
João: Quando estamos em um momento de total fragilidade, percebemos que coisas simples do nosso dia a dia são as que mais fazem falta. Hoje em dia eu valorizo até o silêncio. O conforto do nosso lar. O banho no chuveiro. Coisas que fazemos no modo automático que a vida nos impõe. Hoje ainda me estresso no trânsito, mas passa 10 minutos e eu já começo a apreciar toda a vida acontecendo ao redor e me lembro que poderia ser muito pior, como já foi.
Renan Cury: Qual a importância e o objetivo do documentário que você está produzindo?
Bom, muito antes de sair do hospital eu já tinha isso muito claro na minha cabeça. Pensava: “Quando sair tenho que retribuir de alguma forma tudo que recebi e transmitir tudo aquilo que aprendi nesses 2 anos e 1 mês”. E parecia que eu já sabia que essa era minha missão, pois registrava tudo desde o início. Tenho um acervo muito grande que mostra o dia a dia de um paciente grave de forma muito real. A ideia principal é motivar pacientes e médicos a não desistirem dos casos, independente de prognósticos e estatísticas. E eu tenho recebido excelentes feedbacks tanto de profissionais da área da saúde, como de pacientes que estão em terapia.
Renan Cury: Você se considera uma nova pessoa após toda essa trajetória?
João: Não há dúvidas. Hoje me dedico a realizar projetos, sou mais paciente e sensível com as dores dos outros. É uma transformação quase que por completa na forma de enxergar a vida e distinguir aquilo que vale a pena ou não depositar suas energias.
Pedrinho, é meu amigo desde a infância, e todos do nosso grupo, ficamos com medo de perdê-lo durante sua doença, mas porém, também nunca desistimos. Encerramos o bate papo, mas tem muito mais conteúdo sobre o que Pedrinho passou, no link do piloto do projeto. Confira: https://youtu.be/rl13VH79enI