




A perda de um bebê, é sempre um caso traumático, não só para os pais, mas também pra toda família e amigos. Desde a manhã desta terça-feira (11), nossa produção tem recebido, através das redes sociais, diversas mensagens sobre o caso de uma mãe, que aguardava há horas no Hospital São João Batista em Volta Redonda, o parto de seu filho, morto no ventre. Segundo as mensagens, o hospital estaria induzindo o parto normal, ao invés de fazer uma cesárea.
Assim que a mensagem foi recebida, questionamos a direção da unidade hospitalar. O Diretor Médico do Hospital, Dr. José Geraldo, informou que “a cesárea, geralmente é feita para salvar a vida da mãe ou do bebê”, acrescentando que sabe que esses casos são delicados. “Pode parecer cruel ficar esperando o parto, mas é a forma de preservar a mulher para outras gestações, além de evitar complicações. Isso também é protocolo. Normalmente a nossa psicóloga conversa com a gestante e explica a situação”, completou.
Nossa produção, mesmo tendo recebido o retorno da direção do Hospital São João Batista, pesquisou mais sobre o assunto, descobrindo que no meio médico, inclusive na Europa, realmente a indução ao parto normal quando o feto está morto, é o que deve ser feito. “Não é lícito, do ponto de vista médico, fazer uma mulher passar por cirurgia quando o feto está morto, assim, escolhem a situação de menor risco para a saúde da mulher”, afirma numa entrevista a um site de saúde, o obstetra João Malta, do Hospital São João, no Porto, em Portugal. João Malta também lembra que uma intervenção cirúrgica tem sempre mais perigos. O parto normal nestas condições é pensado para “ser o menos traumático possível. Fazemos tudo para que o parto seja indolor”, garante o obstetra.
Do mesmo modo, os psicólogos e psiquiatras defendem que “o drama maior é a perda do filho e não a forma como se dá o parto”.
Nesta quarta-feira (12), nossa produção preocupada com um outro caso, fez novamente contato com o Diretor Médico do Hospital São João Batista, Dr. José Geraldo, que afirmou que todos os casos estão sendo acompanhados, e que agora, o principal, é zelar pela saúde das mães.
O Presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia, Luís Graça, também falou sobre o assunto. “O que está indicado é o parto vaginal, sem deixar marcas no corpo e sem comprometer a saúde reprodutiva da mulher”, disse.
Casos da semana
Paciente Juliana Gonzaga de 41 anos: Segundo a direção do HSJB, a paciente chegou ao Hospital no dia 10/09, grávida de 32 semanas e sem sentir o feto há 2 dias. Foi confirmado o óbito do bebê. No momento desta publicação, ela aguardava há cerca de 50h, a indução do parto normal do natimorto. Em alguns casos, pode levar cerca de 1 mês para que isso aconteça. O Hospital deu a ela a opção da cesárea, desde que assinasse um termo de responsabilidade, já que não é o indicado. Ela se recusou, e continua sendo monitorada.
Paciente Thamires Rodrigues de 25 anos: Segundo a direção do HSJB, a paciente, grávida de 38 semanas, fez todo pré-natal na policlínica. Foi a consulta de pré-natal nesta terça (11), e tudo estava ok. Na manhã desta quarta-feira (12), não sentiu o bebê. Exames foram feitos e detectaram que o feto estava morto. Ela expeliu o feto na noite de quarta-feira (12), de parto normal.
Famílias
As famílias da Juliana e da Thamires, falaram sobre os casos. Conversamos com a Josiane Gonzaga, irmã da Juliana, que apesar de estar desgastada emocionalmente, não se opôs sobre os fatos relatados nessa matéria, e concordou com tudo que foi escrito. Na família de Thamires, falamos com Erica, mãe dela, que afirma que houve negligência por parte do Hospital. Erica conta que chegou a ir várias vezes ao Hospital São João Batista, o que foi negado pela direção do hospital. Erica também conta que induziram ao parto normal, mesmo a filha já tendo passado, comprovadamente no passado, por um caso onde não conseguia ter dilatação necessária para passagem da criança.