


A cidade de Paraty foi alvo, nesta terça-feira (11), do cumprimento de um dos 70 mandados de busca e apreensão numa operação deflagrada pela Delegacia de Polícia Federal de Campinas (SP) em combate a crimes financeiros e lavagem de dinheiro que teriam movimentado R$ 2,5 bilhões. O objetivo da organização, segundo a investigação, era sustentar os integrantes do grupo em “padrão cinematográfico” com a compra de veículos de luxo, imóveis, lanchas e até patrocínio de esporte automobilístico. Em Paraty, houve a apreensão de lanchas, mas não foram informadas quantas até o momento desta publicação.
A ação é realizada em conjunto com a Receita Federal e Ministério Público Federal (MPF). Também foram expedidos 15 mandados de prisão. O MPF obteve ainda o afastamento do cargo de um delegado da própria PF, por 30 dias. Ele estaria fornecendo informações aos investigados. A operação recebeu o nome de Black Flag. Pelo menos 220 policiais federais e 50 servidores da Receita Federal participam. Entre as medidas cumpridas nesta terça, está o bloqueio de contas e investimentos no valor de R$ 261 milhões, sequestro de bens imóveis e congelamento de transferências de bens móveis.
A investigação começou há dois anos e contou com a atuação conjunta da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério Público Federal. As fraudes foram descobertas a partir de ações fiscais da Receita Federal, que detectou movimentações financeiras suspeitas.
Com a instauração do inquérito policial e o avanço das investigações, foi descoberta “uma complexa rede de pessoas físicas e jurídicas fictícias”. O objetivo das operações era propiciar aos integrantes da organização criminosa um alto padrão de vida.
“Para proteger o patrimônio, foram criadas empresas que assumiram a propriedade dos bens e os blindaram de eventuais ações fiscais, cujos créditos já apurados pela Receita Federal ultrapassam R$ 150 milhões. A origem de recursos é pública, já que a primeira empresa fictícia obteve um contrato com uma agência de fomento econômico estatal e outro com a Caixa Econômica Federal, no valor total de R$ 73 milhões na época do fato, em 2011, o que, em valores corrigidos, importa em aproximadamente R$ 100 milhões”, informou a PF. Os envolvidos responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de lavagem de dinheiro, crimes contra o sistema financeiro, crimes contra a ordem tributária, estelionato, falsidade ideológica e material e organização criminosa. (Fotos: PF)