




A violência contra a mulher não é um tema restrito aos boletins de ocorrência, aos processos judiciais ou aos atendimentos sociais. Ela atravessa famílias, instituições, políticas públicas e exige profissionais preparados para reconhecer, acolher, orientar e proteger. Com esse enfoque, os cursos de Direito e Serviço Social do UniFOA promoveram, nesta quarta-feira, a aula inaugural do semestre com o tema “Estratégias de Enfrentamento à Violência contra a Mulher”.
A atividade foi realizada no auditório William Monachesi, no campus Olezio Galotti, em Três Poços, e reuniu estudantes para uma reflexão sobre direitos humanos, igualdade de gênero, prevenção, mecanismos de denúncia, rede de proteção e responsabilidade profissional diante das diferentes formas de violência contra as mulheres. A palestra foi conduzida pela advogada Martha Rocha, primeira mulher a comandar a Polícia Civil do Rio de Janeiro. Como delegada, ela participou da implementação do projeto das Delegacias Legais Especializadas no Atendimento à Mulher e também exerceu o cargo de secretária municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro.
Para Alan Pançardes, coordenador do curso de Direito do UniFOA, a escolha do tema para a aula inaugural partiu da necessidade de aproximar a universidade dos problemas reais da sociedade. “A violência contra a mulher ainda é uma realidade muito presente e o seu enfrentamento exige profissionais preparados, conscientes e, principalmente, capazes de atuar de forma integrada. Como essa aula inaugural reuniu os cursos de Direito e Serviço Social, o tema foi especialmente importante, porque são duas áreas que estarão diretamente envolvidas no acolhimento, na orientação e na proteção dessas mulheres”, afirmou.
Segundo Alan, a proposta foi iniciar o semestre provocando nos estudantes uma reflexão sobre a responsabilidade que terão como futuros profissionais. “Mais do que iniciar um semestre, queríamos começar provocando nos nossos alunos uma reflexão sobre a responsabilidade que eles terão na transformação dessa realidade”, completou.
A presença de Martha Rocha também foi destacada pelo coordenador como uma oportunidade de aprendizado para além dos livros e da legislação. “Receber a Martha Rocha foi uma oportunidade muito especial porque não estamos falando apenas de alguém que estudou ou acompanhou essa temática, mas de uma profissional que participou dessa história de forma concreta. Sua trajetória na Polícia Civil é profundamente ligada ao atendimento e à proteção das mulheres, além de ter rompido importantes barreiras ao se tornar a primeira mulher a chefiar a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro”, destacou.
Para Alan, ouvir uma profissional com essa trajetória ajuda os estudantes a compreenderem os avanços já conquistados, os desafios que ainda permanecem e o papel das instituições no enfrentamento à violência. “Eles puderam perceber que as instituições são transformadas por pessoas que decidem assumir responsabilidade e fazer a diferença”, afirmou. A aula inaugural também ganha relevância em 2026, ano em que a Lei nº 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, completa 20 anos. A legislação é considerada um dos principais marcos legais brasileiros no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres, ao reconhecer o problema como uma questão de direitos humanos e de responsabilidade do Estado.
Para Karin Escobar, coordenadora do curso de Serviço Social, a abertura do semestre com esse debate reforça o compromisso da formação universitária com uma atuação crítica, ética e socialmente referenciada. “A abertura de um novo semestre representa também uma oportunidade para reafirmar o compromisso da universidade com a formação profissional crítica, a defesa dos direitos humanos e o enfrentamento das diferentes formas de violência presentes na sociedade”, afirmou.
Karin ressaltou que a discussão envolve mais do que o conhecimento da lei. O enfrentamento à violência contra a mulher exige compreensão das desigualdades, identificação das diferentes expressões de violência, acesso à proteção e articulação de políticas públicas e redes de atendimento. “A realização conjunta pelos cursos de Serviço Social e Direito destaca a importância da atuação interdisciplinar diante de uma realidade complexa, que exige profissionais preparados para compreender as dimensões sociais, jurídicas e institucionais da violência”, destacou.
A coordenadora também avaliou que a formação acadêmica precisa preparar os estudantes para práticas profissionais comprometidas com a garantia de direitos, a autonomia das mulheres e a interrupção dos ciclos de violência. “A formação acadêmica deve contribuir não apenas para o conhecimento da legislação e dos instrumentos de proteção, mas também para a construção de práticas profissionais comprometidas com a garantia de direitos e com o enfrentamento das desigualdades que sustentam diferentes formas de violência”, completou.
Para Alan Pançardes, o principal impacto da palestra foi lembrar aos alunos que a violência contra a mulher não deve ser tratada apenas como um conteúdo jurídico ou social. “Estamos falando de pessoas, famílias e histórias reais que, muitas vezes, chegarão até esses futuros advogados, assistentes sociais e demais profissionais buscando ajuda em um dos momentos mais difíceis de suas vidas. A palestra trouxe conhecimento, mas trouxe também consciência”, afirmou.
Iniciar o semestre com esse tema, os cursos de Direito e Serviço Social aproximam os estudantes de uma realidade que exige técnica, sensibilidade e compromisso público. Mais do que uma aula inaugural, o encontro colocou em pauta a responsabilidade de formar profissionais capazes de atuar na defesa dos direitos das mulheres e na construção de uma sociedade livre de violência.